Eu costumava desenhar sóis... Como flores amarelas cheias de pétalas.

18:32:00


Foto de minha autoria, mais no instagram @caleidoscopica

































Existiu um tempo, que parece não ter existido.
Nesse tempo eu costumava desenhar sóis amarelos com raios que pareciam pétalas de uma flor.

Eu costumava desenhar sóis.

Eu sabia que o sol era amarelo pelo tom que ele produzia entre as folhas verdes no verão, e pela cor alaranjada no crepúsculo diário.
Eu sabia que ele tinha raios porque eles atravessavam a janela da cozinha, atravessavam a lente de aumento e tocavam na pele para esquentar.

Sóis amarelos, com raios feitos pétalas de sol.

Não sabia se o tom era mais fraco, ou se puxava ao tom mais forte. Ele mudava de acordo com a dança nos céus.
As vezes uma nuvem pousava em sua frente, e a terra apagava enchendo-se de sombras.
Outras vezes era tão anil o firmamento que era difícil de mirá-lo (o sol).
Eu assistia seu nascer, assistia-o se pôr, e hoje não posso assistí-lo.

Alaranjado como o pôr do sol.

Em uma parte do ano era quente e o asfalto exalava uma fumaça transparente que desfocava o que estava por detrás dela.
As cigarras cantavam e o suor escorria pela testa, jogava-se tinta vermelha.

Com seus raios incandescentes a nos queimar.

Na outra parte do ano fazia frio intenso, o sol parecia esconder-se, e por vezes distante, com uma coloração que exigia mais tinta branca do que amarela ou laranja.
Ontem me recordei.

Eu costumava desenhar sóis.

E as vezes a nuvem cinza envolvia-o e chegava a chuva a refrescar, ele produzia sete cores no céu, prenúncio de promessa, prenúncio de perfeição.
Era pequenina, e usava canetinha no contorno, muitas vezes mesclava o amarelo e o laranja, que era a cor do pôr-do-sol, e os raios dele (o sol) ficavam parecidos com pétalas de flores.
Caem chuvas torrenciais desses olhos quando se lembram de antigos sóis, quando se escuta a música que questiona a chegada do segundo sol, sol amarelo.
Por vezes pensei em retomar o prazer em desenhar meus sóis, fugindo da escuridão que quer cercar-me. 

Saudades eu penso... Costumava desenhar sóis...
Como flores amarelas, cheias de pétalas.

-Daiane C Silveira

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