O relato de uma alemã chamada Joan Müller

07:57:00

(Esse texto é fictício... Foi escrito por mim, na biblioteca da faculdade ontem, 09.05.2013)


Berlin, 20 de abril de 1945.
A guerra emergia de cada poro ariano. Em uma explosão a rua se transforma em escombros, eu abaixo deles.
Meu nome é Joan... Joan Müller. 
Agora sinto meu braço doer como nunca, cheiro de pó e algo pressionando meu corpo. Nesse momento tudo é escuro, existem barulhos de sirene, grito de mulheres, explosões e choro de bebês.
O ar cada vez se torna mais pesado...
Sinto uma forte dor de cabeça e com calma consigo mover minha mão direita até ela... Algo quente suja as minhas mãos... Presumo ser sangue.
Acordo...
Eu estava dormindo?
Onde estou?
Esta escuro...
Ah... me lembro... Ainda aqui nos escombros.
Os gritos e bombas cessaram, as sirenes continuam. Ou dormi, ou desmaiei, não me recordo.
Começo a me desesperar... Calma penso eu...
Vou pensar no que fazer quando sair daqui... Isso!
Não...
Meu pensamento vai diretamente em minha vida antes de tudo isso. Penso em minha família.
Minha pequena irmã foi mandada para o interior da Alemanha em uma espécie de "Escola Refúgio para crianças", meu pai está servindo na S.S. à alguns meses e não recebemos cartas dele à algum tempo, minha mãe está no abrigo antibombas.
E agora vem na mente a pergunta: Porque não estou com ela?
Não deu tempo...
Quando escutei o aviso de ataque aéreo corri até minha casa procurar minha mãe, ela por sua vez saiu para me procurar, dizia o bilhete sobre a mesa...
E nesse momento caiu a bomba... E estou aqui...
Eu...
Que fui obrigada a dizer "Hi Hitler", e que não odiava os judeus, e que não estou aí com toda essa história...
A dor aumenta. Já não sinto pés e pernas.
Volta o barulho de gritos... Penso que Hitler pode estar gargalhando agora.
Ficou frio de repente e o cheiro fétido começou a se espalhar pelo local onde estou.
Estou com fome, sono e dor...
Algo que estava pressionando meu corpo o pressiona ainda mais e fico com falta de ar...
Porque tenho que pagar por isso?
Estava prestes a ficar noiva quando a guerra emergiu...
Perdi meu pai para a S.S., minha irmã para aquela escola podre hitleriana e agora minha vida.
Mamãe, onde está?
Já não há mais ar...
Mais bombas, sirenes, explosões, bebês choran... choran... mãe? Mãe.



-Daiane C Silveira

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-Daiane C Silveira